quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Perante a maré

Já mergulhei bastantes vezes de cabeça perante o desconhecido, mas agora chega, chega de me atirar de cabeça para algo que não conheço, chega de pensar que posso confiar nas pessoas que tenho como "grandes amigos", não me interessa o que possam dizer, ou talvez até interesse, porque por vezes sou mais feita de palavras dos outros do que de atitudes minhas.
 Sei o que tive, sei o que tenho, sei o que posso perder e sei aquilo que posso agarrar. Muitas das vezes parece que meti demasiado creme nas mãos, e que as coisas me escorregam por entre os dedos. 
 Houve um dia em que mais parecia estar à deriva no mar, no mar muito gélido e enraivecido que é a minha vida, e lá bem ao fundo eu vi um farol. Muitas vezes eu me perguntei se nadaria contra a corrente, e contra tudo o que me quisesse meter para trás, mas muitas vezes também pensei em apenas ficar ali, à deriva, e esperar que algo acontece-se.
 Chega de esperar que as coisas venham parar ás minhas mãos, ou à minha vida. 
 Ninguém corre por mim, ninguém vai nadar por mim naquela imensa revolução do mar. Percebi então, que são poucos aqueles com quem posso contar, percebi que a vida é feito de correntes, marés altas e baixas, de mar morto e de mar vivo, e só depende de mim, e dos empurrões da vida de que maneira quero eu nadar, de que maneira irá o mar ficar.
 Porém, também depende de mim a quantidade de creme que meto, e com quanta força agarro aquilo que realmente quero.
 Depende de mim, de ti, da pessoa em questão. Há que lutar, porque sem uma grande luta contra um mar revoltado, a única hipótese é ir ao fundo. ! 

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Negação

Nós, as raparigas, temos muita aquela "mania" de achar que os rapazes não prestam, estão lá durante algum tempo, fazem-nos felizes, fazem-nos acreditar nas suas palavras, e que talvez aquele seja o sentimento da palavra "amor" de que se fala em tantos livros, e que é protagonizada em tantos filmes.
 Mas como podemos nós, adolescentes de 15, 16, e 17 anos dizer que aquilo que sentimos é amor ? Não seremos demasiado novos para possuir tamanho sentimento ? Não será que apenas estamos a confundir uma boa amizade, e um carinhoso especial e diferente pela pessoa em amor ? Pois, não sei.
 Vejo os meus pais casados há 17 anos, uma vida, eles discutem, zangam-se muitas vezes, e cada um tem os seus defeitos, mas eles acabam sempre por ultrapassar . Naquele tempo, sim, se podia dizer que o que tinham era amor de verdade, desde os 15 anos da minha mãe, até agora ... Eles são a minha definição de amor, e eu sou o fruto da sua relação.
 Hoje não é assim. Casais casam-se e ao fim de alguns meses, discutem, e acabam por se separar.
 Mas a verdade é que com 16 anos, eu já senti muita coisa, eu já vivi muito da adolescência para saber o que o amor pode transmitir .. Tem sintomas que não pensei sentir.
 É como se o mundo estivesse todo a olhar para ti quando vez aquela pessoa por quem tens um "carinho especial" passar na rua, as tuas mãos começam a suar, as maçãs do teu rosto ficam rosadas, e a barriga dá aquelas voltas a que muitos chamam as tais " borboletas na barriga ". Queres ser vista pela pessoa, e ao mesmo tempo ser passada despercebida.
 E quando o sentimento é mutuo, então ai, é quando tu sabes pela primeira vez o que é o amor. É quando tu sentes todos os teus sentimentos e sensações serem refletidos por uma só pessoa. Uma pessoa que te entende, e que está lá para ti. Aquela que é amigo/a namorado/a e te dá os maiores conselhos, com quem partilhas medos e emoções, tristezas e alegrias.
 Por isso, quando um dia sentires isso por alguém, pensa, reflete, mas não rejeites o pedido da felicidade que te bateu à porta . !

domingo, 5 de janeiro de 2014

Uma escuridão

Caio na imensidão da noite, tento ver mas a luz é-me ofuscada. Será que estou nesta imensa escuridão sozinha, ou será que tenho alguém comigo ?
Tento falar, mas as palavras não me saem, ouço sussurros em toda a minha volta, sussuros de sofrimento, pequenas almas a pedir salvação. Mas que escuridão era aquela onde eu me encontrava ? Eu estaria lá presente com um propósito ? 
Tudo aquilo que sussurravam parecia-me estar noutra língua, uma língua desconhecida.
Enchi os pulmões com todo o ar que consegui e gritei, mas desta vez eu sabia que o grito me tinha saído, pois ecoou na minha cabeça durante vários segundos. À minha volta, todas as vozes que antes ouvira tinham simplesmente desaparecido. Uma profunda paz invadiu a  minha alma, e eu senti-me como se estivesse a voar, ali eu era livre, ganhava asas e podia voar... Sem pensamentos, sem pessoas, sem vozes, e sem julgamentos, apenas eu, voando numa imensa escuridão !