quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Perante a maré

Já mergulhei bastantes vezes de cabeça perante o desconhecido, mas agora chega, chega de me atirar de cabeça para algo que não conheço, chega de pensar que posso confiar nas pessoas que tenho como "grandes amigos", não me interessa o que possam dizer, ou talvez até interesse, porque por vezes sou mais feita de palavras dos outros do que de atitudes minhas.
 Sei o que tive, sei o que tenho, sei o que posso perder e sei aquilo que posso agarrar. Muitas das vezes parece que meti demasiado creme nas mãos, e que as coisas me escorregam por entre os dedos. 
 Houve um dia em que mais parecia estar à deriva no mar, no mar muito gélido e enraivecido que é a minha vida, e lá bem ao fundo eu vi um farol. Muitas vezes eu me perguntei se nadaria contra a corrente, e contra tudo o que me quisesse meter para trás, mas muitas vezes também pensei em apenas ficar ali, à deriva, e esperar que algo acontece-se.
 Chega de esperar que as coisas venham parar ás minhas mãos, ou à minha vida. 
 Ninguém corre por mim, ninguém vai nadar por mim naquela imensa revolução do mar. Percebi então, que são poucos aqueles com quem posso contar, percebi que a vida é feito de correntes, marés altas e baixas, de mar morto e de mar vivo, e só depende de mim, e dos empurrões da vida de que maneira quero eu nadar, de que maneira irá o mar ficar.
 Porém, também depende de mim a quantidade de creme que meto, e com quanta força agarro aquilo que realmente quero.
 Depende de mim, de ti, da pessoa em questão. Há que lutar, porque sem uma grande luta contra um mar revoltado, a única hipótese é ir ao fundo. ! 

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